A cozinha de Santo Antão é simples, farta e feita com o que a terra dá, milho, feijão, tubérculos e o peixe fresco da costa. Comer bem na ilha muitas vezes significa comer em casa de alguém, não num restaurante.

Arlindo Monteiro

Escrito por Arlindo Monteiro

Natural de Santo Antão · Ex-guia turístico e de mergulho na ilha

Pratos que tem de provar

Cachupa

O prato nacional de Cabo Verde: um guisado lento de milho partido, feijão, carne ou peixe e legumes. Existem duas versões principais, a cachupa rica, com mais carne e enchidos, servida normalmente ao domingo ou em ocasiões especiais, e a cachupa pobre, mais simples, do dia a dia. As sobras de cachupa fritas no dia seguinte, a "cachupa refogada", são tão populares como o prato original.

Peixe e marisco

Sendo uma ilha, o peixe fresco é uma constante, atum, garoupa e lagosta aparecem em muitos menus, normalmente grelhados e servidos com "mandioca" ou "banana da terra" cozida.

Queijo de cabra do Paúl

O vale do Paúl é conhecido pela criação de cabras e pelo queijo artesanal produzido ali, vale a pena procurar nos mercados locais ou pedir nas casas rurais da zona.

Pão e bolo de milho

O "pão de milho" e o "cuscuz" cabo-verdiano (diferente do cuscuz norte-africano, feito de farinha de milho cozida ao vapor) acompanham o pequeno-almoço em muitas casas locais.

Grogue: a aguardente da ilha

O grogue é a aguardente de cana-de-açúcar produzida artesanalmente em Santo Antão, a ilha é considerada a capital do grogue autêntico cabo-verdiano. As duas zonas de maior produção são o vale do Paúl e a povoação de Chã de Igreja, no norte da ilha, onde os trapiches tradicionais, muitos ainda movidos a tração animal, continuam a destilar a cana como há gerações. O grogue serve de base a bebidas como o "ponche" (grogue com mel de cana e sumos locais). Algumas quintas nestas zonas recebem visitantes para mostrar o processo de destilação, vale a pena perguntar no seu alojamento se há uma visita possível nas proximidades.

Onde comer

Fora das povoações maiores (Porto Novo, Ribeira Grande), a oferta de restaurantes formais é pequena. Ao longo das trilhas, aldeias como Formiguinhas têm pequenos restaurantes informais que servem o prato do dia, normalmente frango ou peixe, consoante o que houver disponível. Em muitas casas rurais, o jantar caseiro pode ser combinado diretamente com os anfitriões, e costuma ser a forma mais autêntica (e mais barata) de comer bem na ilha.

Dicas práticas

Os horários de refeição tendem a ser mais cedo do que em Portugal, almoço por volta do meio-dia, jantar a partir das 19h. Em aldeias pequenas, é comum ser preciso encomendar a refeição com algumas horas de antecedência, já que os restaurantes cozinham para o número de clientes esperado nesse dia.